Checklist de compliance cambial para 2026 (Bacen, contratos, RDE)
Organize seu compliance cambial em 2026: contratos, RDE (ROF/IED/Portfolio), política de hedge, KYC/AML, calendário e KPIs. Playbook de 30–90 dias e CTAs para simular custos e riscos.
Checklist de compliance cambial para 2026 (Bacen, contratos, RDE)
Resumo executivo
Entrar em 2026 com o compliance cambial em dia é mais do que “não errar no câmbio”: é proteger margem, evitar multas, reduzir fricção bancária e acelerar aprovações de crédito. Este guia transforma o tema em checklist operacional: contratos de câmbio e documentação suporte, RDE (ROF/IED/Portfolio), política de hedge (base, janelas e instrumentos), governança KYC/AML, controles de CAPEX em moeda forte, e um calendário único para reportes e renovações. Você verá 14 pontos críticos para auditar no início do ano, armadilhas comuns (PTAX de virada, over-hedge, alçadas frouxas), KPIs do comitê e um playbook de 30–90 dias para sair do “modo reativo” — com CTAs para simular risco cambial, custos e linhas de crédito.
Por que o compliance cambial virou agenda de diretoria
Ao cruzar câmbio, crédito e comércio exterior, a companhia cria uma trilha de auditoria que precisa ser consistente. Bancos e contrapartes exigem KYC/AML robusto, contratos claros e registros corretos no Bacen. Uma falha típica — base de hedge desalinhada ao pricing comercial, RDE desatualizado, lastro incompleto — vira custo (spread mais alto), atrito (atraso para liberar câmbio) e risco regulatório. O lado bom: 80% das dores se resolvem com processo, calendário e disciplinas simples.
Mapa das obrigações — o que entra no seu checklist de 2026
Contratos de câmbio (exportação, importação, remessas, empréstimos): lastro documental (Invoice, BL/AWB, DI/DUIMP/DU-E, contratos), finalidade correta, prazos e chaves de correlação.
RDE – ROF (operações financeiras: empréstimos, arrendamentos, RO/NP de não residente, garantias): cadastro e eventos (liberações, amortizações, juros, alterações contratuais) conformes e atualizados.
RDE – IED (investimento estrangeiro direto): capital, quotas/ações, eventos societários e atualização de participações.
RDE – Portfolio (investimento de não residente em carteira): registro por custodiante e reconciliação das posições e fluxos.
Política de hedge escrita: base (spot ou PTAX; D-0/D-1/média), janelas (horários), buckets (30/60/90/180/360), instrumentos (NDF/termo/opções/swap), alçadas e memória de preço.
Governança KYC/AML com bancos: onboarding, revisões periódicas, FATCA/CRS, beneficiários finais (UBOs) e sanctions screening.
Política de preços e base comercial: coerência entre formação de preço (spot/PTAX) e base do hedge.
Comércio exterior: integrações e consistência entre ERP, DU-E/DUIMP, Siscomex e contratos de câmbio; evidence trail para auditoria.
Empréstimos externos / FX Loan: contratos, garantias, cronograma, RDE-ROF, cálculo do CET pós-hedge, testes de covenants.
Caixa offshore e cash pooling: governança de sweeps, transfer pricing (se intragrupo), base e janelas de câmbio.
Contábil: designações de hedge accounting quando aplicável, documentação e testes de eficácia; tratamento de variações cambiais.
Impostos e reportes aplicáveis (no Brasil e no exterior, quando houver): calendário único com responsáveis e cut-offs internos.
Segregação de funções e logs: quem cotou, quem aprovou, quem contratou; quatro olhos e trilhas assinadas.
KPIs e post-mortem: medir custo de execução, slippage, spread spot–PTAX em janelas críticas e acurácia de orçamento (MtB).
RDE: o que revisar em ROF, IED e Portfolio
RDE – ROF (operações financeiras)
Escopo: empréstimos/financiamentos externos, arrendamento, importação financiada, garantias e outras obrigações com não residentes.
Pontos de auditoria: dados do contrato (valor, taxa, cronograma), eventos (liberação, juros, amortização), garantias, alterações. Reconcilie RDE x contratos de câmbio x contábil.
RDE – IED (investimento direto)
Escopo: capital de não residentes em empresas brasileiras (abertura, aportes, reduções, reorganizações).
Pontos de auditoria: registro de atos societários, eventos (capitalizações, dividendos, reestruturações) e base acionária. Garanta consistência com juntas, contabilidade e câmbio.
RDE – Portfolio
Escopo: investimentos de não residentes em carteira (bolsa, títulos, fundos), via custodiante.
Pontos de auditoria: reconciliação de posições, eventos (proventos), fluxos cambiais e relatórios do custodiante.
Boas práticas: mantenha responsáveis formais por módulo, calendário com janelas de atualização e checklists por evento (contratação, alteração, liquidação).
Contratos de câmbio: lastro, finalidade e base
A fiscalização (bancos/autoridades) pede coerência entre a operação e o lastro — o “porquê” e o “com o quê” você está fechando câmbio.
Exportação: DU-E, Invoice, BL/AWB, comprovantes de embarque, prazos de liquidação e recebimento coerentes.
Serviços: contrato de prestação, comprovantes (entregáveis, horas), retenções quando aplicáveis.
Empréstimos: contrato, ROF, cronograma, garantias, condições financeiras e eventos no RDE.
Base e janelas: defina por escrito se o pricing comercial e o hedge seguem spot ou PTAX (e qual PTAX: D-0/D-1/média). Documente horários (overlaps Londres/NY/SP) e evite concentrar volumes na virada do mês/ano.
Política de hedge: do PDF à prática diária
Uma política viva facilita auditorias e reduz improvisos. Ela deve cobrir:
Exposição: mapa por linha de negócio (receitas, custos, dívida, CAPEX) e classificação firme vs. provável.
Base: spot ou PTAX; janelas e moeda de precificação.
Execução: alçadas, ordens limitadas, tranches, concorrência de 2–3 casas, memória de preço (curvas, points, spread).
Contábil: critérios para hedge accounting e documentação.
KPIs: cobertura por bucket, slippage, spread spot–PTAX, MtB.
Auditoria rápida — 14 perguntas que “acendem luz amarela”
1) Há política escrita de câmbio/hedge, aprovada e vigente?
2) O pricing comercial usa a mesma base (spot/PTAX) do hedge?
3) Existem janelas e horários padronizados de execução?
4) RDE-ROF de empréstimos externos está em linha com contratos e câmbios?
5) RDE-IED reflete eventos societários recentes?
6) Portfolio do não residente reconcilia com custodiante?
7) Lastro documental do câmbio está vinculado e arquivado?
8) Existe segregação de funções (cotação, aprovação, contratação)?
9) Há memória de preço (curvas/points/spread) das execuções?
10) Over-hedge do provável é evitado por política?
11) Rolls evitam último dia útil/virada do ano?
12) Hedge accounting está documentado (quando aplicável)?
13) Calendário único de prazos/obrigação com responsáveis?
14) KPIs e post-mortem são apresentados ao comitê?
Armadilhas comuns (e como desarmar)
Base desalinhada (spot x PTAX): sua proteção não “cobre” sua precificação. Antídoto: padronizar base, revisar contratos e treinar comercial/tesouraria.
Concentração na virada: executar tudo no último dia útil. Antídoto:tranches D-3/D-2/D-1 e ordens limitadas.
RDE desatualizado: alterações contratuais sem evento no sistema. Antídoto:checklist por evento e responsável nomeado.
Over-hedge: travar 100% do provável. Antídoto: políticas por buckets e uso de opções em incerteza.
Falta de trilha: sem memória de preço, sem logs e sem segregação. Antídoto:quatro olhos e repositório assinado.
Playbook de 30–90 dias (do diagnóstico à auditoria “verde”)
D+0 a D+7 — Raio-X: inventariar contratos de câmbio, mapas de exposição, posições de hedge, RDE (ROF/IED/Portfolio) e cadastros bancários. Identificar lacunas de base, lastro e alçadas.
D+8 a D+15 — Política e calendário: atualizar política de hedge (base, janelas, buckets, instrumentos, alçadas), publicar calendário único de prazos internos/externos com responsáveis.
D+16 a D+30 — Processos e sistemas: padronizar ordens limitadas, tranches e memória de preço; integrar ERP–comex–bancos; revisar dossiês RDE e abrir chamados de ajuste.
D+31 a D+60 — Treinamento & testes: workshop com comercial/COEX/financeiro; simulações de execução (overlaps e viradas); dry run de auditoria (amostra de operações).
D+61 a D+90 — Auditoria e KPIs: rodar post-mortem mensal, publicar KPIs (cobertura por bucket, slippage, spread spot–PTAX, MtB, prazos de RDE), fechar pendências e documentar lições.
Cobertura de hedge por bucket (30/60/90/180/360) — firme vs. provável.
Spread spot–PTAX (média e pico) em janelas de execução; slippage (teórico vs. executado).
MtB (mark-to-budget) do câmbio por linha de negócio.
RDE em conformidade: % de operações com eventos/alterações registrados e dentro do prazo.
Tempo de liquidação (contrato de câmbio ⇄ documentação completa); pendências por banco.
Headroom de covenants para operações em moeda forte (DSCR, alavancagem).
FAQ — dúvidas rápidas
RDE é obrigatório para toda operação com não residente?
Para operações financeiras e investimento (como empréstimos externos, IED e carteira), sim — cada módulo tem regras e eventos próprios. Para comércio exterior, o foco é lastro e coerência entre DU-E/DUIMP, contratos e câmbio.
PTAX ou spot: qual base devo usar?
A base deve seguir a forma como você precifica. Se sua tabela comercial usa spot, proteger por PTAX sem ajustes cria risco de base. Se usa PTAX (média ou D-1), alinhe a política de hedge à mesma referência.
Quando usar opções em vez de NDF?
Quando a exposição é incerta ou você quer limitar caudas sem “casar” valor/data exatos. Colarinhos (teto+piso) são úteis para sazonalidades e janelas de virada.
Hedge accounting é obrigatório?
Não é obrigatório, mas reduz volatilidade contábil quando aplicável. Exige documentação e testes de eficácia consistentes.
Como diminuir atrito com bancos no câmbio?
Mantenha KYC/AML atualizado, lastro pronto no ERP, memória de preço, base/janelas padronizadas e segregação de funções. Isso reduz questionamentos e melhora prazos.
Vinicius Teixeira
Vinicius Teixeira é especialista com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, atuando com foco em soluções estratégicas para câmbio, crédito estruturado e inteligência financeira para empresas. Ao longo da carreira, ajudou centenas de negócios a tomarem decisões mais inteligentes e rentáveis, sempre com uma abordagem analítica, consultiva e baseada em dados.
Fundador da GX Capital, Vinicius combina sua vivência de mercado com o uso de tecnologias avançadas e inteligência artificial para oferecer uma nova geração de serviços financeiros. É também palestrante, tendo participado de eventos e formações voltadas à educação financeira e à transformação digital no setor.
No portal da GX Capital, compartilha sua visão sobre o futuro do mercado, tendências econômicas e estratégias práticas para empresas que querem crescer com eficiência e segurança.
Utilizamos cookies e tecnologias semelhantes para melhorar sua experiência, personalizar conteúdos e anúncios, e analisar o tráfego no site. Ao continuar navegando, você concorda com nossa Política de Privacidade.