Novo título do Tesouro Direto em março — compare com Selic, Prefixado e IPCA+

Guia para avaliar o novo papel do Tesouro Direto: indexador, cupom, prazo, duration, marcação a mercado, tributação e playbook de 30–90 dias.

Feb 2, 2026 - 07:42
Jan 31, 2026 - 20:48
 0  1
Novo título do Tesouro Direto em março — compare com Selic, Prefixado e IPCA+

Novo título do Tesouro Direto em março: como comparar com Selic, Prefixado e IPCA+ (sem cair em armadilhas)

Resumo executivo

O Tesouro Direto anunciou a chegada de um novo título público em março. Sempre que aparece um papel novo, a tentação é comprar “pela novidade”. Melhor caminho: comparar o desenho do título (indexador, cupom, vencimento) com objetivos de caixa, prazo e tolerância a oscilações. Este guia organiza a análise em quatro perguntas: (1) qual o indexador (Selic, inflação ou taxa fixa)? (2)pagamento periódico (cupom) ou é principal no vencimento? (3) qual a duration implícita (sensibilidade aos juros)? (4) qual o uso do dinheiro (reserva, metas de médio prazo, aposentadoria)? Trazemos uma matriz de decisão para comparar com Tesouro Selic, Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+, explicamos marcação a mercado, tributação, riscos e um playbook de 30–90 dias para ajustar sua política de alocação. Fechamos com FAQ e CTAs para simular trade-offs.

O que observar em um novo título (checklist rápido)

  • Indexador: Selic (pós-fixado ao juro curto), IPCA+ (inflação + taxa real), Prefixado (taxa fixa) ou híbrido (renda periódica + indexador).
  • Fluxo de caixa: principal no vencimento (acumulação pura) ou cupom periódico (renda mensal/semestral).
  • Vencimento e duration: quanto maior o prazo, maior a sensibilidade aos juros — e a oscilação diária do preço.
  • Liquidez e custos: recompra diária do Tesouro, taxa de custódia da B3 (padrão), e eventuais taxas da instituição distribuidora.
  • Tributação: IR regressivo (22,5% a 15% conforme prazo), sem IOF após 30 dias e sem “come-cotas”.

Como comparar com Selic, Prefixado e IPCA+ (matriz prática)

Tesouro Selic (pós-fixado)

Para que serve: reserva de oportunidade, caixa tático e metas de curto/médio prazo com baixa volatilidade. Risco principal: retorno real pode minguar se a inflação ficar alta por muito tempo. Oscilação: pequena (desde que não venda em janelas de stress muito atípicas).

Tesouro Prefixado

Para que serve: travar uma taxa nominal quando há expectativa de queda de juros ou estabilidade. Risco principal: se a curva abrir (juros subirem), o preço cai — marcação a mercado pesa. Oscilação: moderada a alta, proporcional ao prazo.

Tesouro IPCA+ (inflação + juro real)

Para que serve: preservar poder de compra no longo prazo; ALM de objetivos indexados à inflação (educação, aposentadoria, obras). Risco principal: marcação a mercado (juros reais subindo derrubam preço no curto prazo). Oscilação: significativa nos longos.

O “novo” título

Um lançamento pode combinar renda periódica com algum indexador (ex.: pagar cupons e ajustar pelo IPCA; ou pagar cupom atrelado a Selic). O que muda na prática:

  • Com cupom: parte do retorno vira renda antes do vencimento. Prós: previsibilidade de fluxo; Contras: reinvestimento do cupom em juros incertos e IR recolhido ao longo do caminho.
  • Sem cupom (principal): maximiza juros sobre juros e simplifica imposto no resgate. Prós: mais simples; Contras: nenhum cashflow intermediário — precisa de fundo de emergência à parte.

Marcação a mercado: o motivo de “perder dinheiro no D+1” (mesmo sendo título público)

Todo título do Tesouro negocia diariamente. Se a curva de juros sobe, o preço cai (e vice-versa). Dois detalhes importam:

  1. Duration: é a “régua de sensibilidade”. Um IPCA+ 2045 mexe muito mais do que um Selic 2028.
  2. Horizonte: se você carrega até o vencimento, recebe a taxa contratada (salvo crédito soberano). Se precisa vender antes, vira preço de tela — e aí a oscilação entra no DRE.

Regra prática: objetivos com data definida pedem duration casada. Objetivos contínuos pedem balde de liquidez (Selic) + balde de prêmio real (IPCA+).

Inflação, juros e o “momento” de cada indexador

  • Ciclo de juros altos: Selic/DI sustentados favorecem pós-fixados; prefixados só para quem aceita volatilidade na busca por travar uma taxa “de pico”.
  • Desinflação crível: prefixados ganham com fechamento de curva; IPCA+ segue essencial para metas reais (aposentadoria, educação).
  • Inflação teimosa: IPCA+ protege poder de compra; Selic segura liquidez; prefixado costuma sofrer se o mercado reprecificar juros para cima.

Tributação e custos (o que afeta seu líquido)

  • IR regressivo em renda fixa (22,5% até 180 dias → 15% acima de 720 dias). Sem IOF após 30 dias.
  • Custódia B3: verifique a taxa vigente e eventuais isenções/limites.
  • Distribuidoras: checar se há taxa adicional (a maioria zerou, mas valide).

Como decidir: árvore de escolhas (versão textual)

  1. Precisa de dinheiro previsível antes do vencimento?
    Sim → prefira título com cupom (mensal/semestral) e case o calendário com seu fluxo.
    Não → prefira principal no vencimento para maximizar composição.
  2. Seu objetivo é nominal ou real?
    Nominal (ex.: trocar de carro em 2–3 anos) → Selic e/ou Prefixado curto.
    Real (aposentadoria, estudos) → IPCA+ em prazos médios/longos.
  3. Tolerância a oscilação?
    Baixa → Selic e curtos.
    Média/alta → prefixados/IPCA+ conforme o horizonte.

Erros comuns (e como evitar)

  • Comprar só pela taxa do dia: taxa boa com duration errada vira susto na primeira abertura de curva.
  • Confundir cupom com “renda garantida sem risco”: cupom ajuda o fluxo, mas marca a mercado segue existindo; e o IR incide nos pagamentos.
  • Vender Selic no susto: oscilações pontuais em Selic são pequenas; o erro é transformar reserva de liquidez em trade.
  • Usar IPCA+ para objetivos de curtíssimo prazo: a proteção real é ótima, mas a volatilidade interim pode doer se você precisar sair antes.

Playbook de 30–90 dias (do anúncio à execução)

  1. Dia 0–7 — Diagnóstico: liste objetivos por prazo (0–12 meses, 1–3 anos, 3–10 anos) e por natureza (nominal/real). Mapeie posições atuais (Selic/Prefixado/IPCA+) e verifique sua duration média.
  2. Dia 7–15 — Política: defina bandas por balde: % mínimo de Selic para liquidez; % alvo em IPCA+ para metas reais; prefixado oportunístico em janelas de fechamento.
  3. Dia 15–30 — Encaixe do novo título: se o lançamento trouxer renda periódica, use para alinhar fluxo (ex.: complementar despesas recorrentes). Se vier sem cupom, use para metas de acumulação.
  4. Dia 30–60 — Execução: monte as compras em tranches (semanas diferentes), evitando concentrar tudo no mesmo dia de oscilação forte. Mantenha reserva Selic separada.
  5. Dia 60–90 — Auditoria: acompanhe desvios (peso por balde), volatilidade da carteira e aderência a objetivos. Rebalanceie se algum ativo passar do limite.

🧭 GX Wealth — falar com um planejador 💠 Aurum — comparar custos (CDI+, IPCA+, prefixado)

Exemplos ilustrativos (sem prometer retorno)

Perfil “Renda previsível”

Objetivo: complementar despesas mensais por 5–10 anos. Estratégia: combinar título com cupom (se o lançamento trouxer essa característica) com uma camada Selic para emergências. Risco: reinvestir cupons em juros possivelmente menores no futuro.

Perfil “Aposentadoria real”

Objetivo: preservar poder de compra por 15–25 anos. Estratégia: IPCA+ principal e, se houver versão com renda futura, escadear vencimentos (“ladder”) para sincronizar com a idade de uso.

Perfil “Oportunista de ciclo”

Objetivo: capturar fechamento de curva em 2–4 anos. Estratégia: Prefixado em janelas de prêmio, com teto de alocação para não sabotar liquidez. Complemento em Selic para amortecer volatilidade.

FAQ — dúvidas rápidas

Vale migrar tudo para o novo título?

Não. Primeiro entenda indexador, fluxo, prazo e risco. Depois veja como ele encaixa nos seus baldes (liquidez, médio, longo). “Novo” não é sinônimo de “melhor para você”.

Com cupom eu “vivo de renda” sem sustos?

Ajuda, mas a marcação a mercado continua; além disso, o reinvestimento dos cupons ocorre a taxas de mercado (incertas) e há IR em cada pagamento.

Selic é sempre “sem risco”?

Risco de crédito soberano em moeda local é considerado baixo e há recompra diária. Ainda assim, mantenha a liquidez que você realmente pode precisar em Selic para evitar vender longos em momentos ruins.

Prefixado longo é para qualquer investidor?

Não. É para quem tolera volatilidade e tem horizonte compatível. Se você pode precisar do dinheiro antes, prefira Selic e curtos.

IPCA+ sempre vence no longo prazo?

IPCA+ protege poder de compra, mas oscila. A vitória vem para quem carrega até o vencimento e casa o prazo com o objetivo real.

Conclusão

O novo título do Tesouro Direto em março é uma boa notícia para a prateleira do investidor, mas o valor vem do encaixe na sua estratégia — não da novidade. Compare indexador, fluxo, prazo e duration, respeite seus baldes (liquidez, médio, longo) e simule o custo/benefício de cada alternativa. Assim, o anúncio vira decisão consistente, com menos arrependimento e mais previsibilidade.

Conteúdo educativo; exemplos são ilustrativos e não constituem recomendação financeira, jurídica, contábil ou de investimentos.

Qual é a Sua Reação?

Like Like 0
Não Curtir Não Curtir 0
Love Love 0
Engraçado Engraçado 0
Irritado Irritado 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0
Vinicius Teixeira Vinicius Teixeira é especialista com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, atuando com foco em soluções estratégicas para câmbio, crédito estruturado e inteligência financeira para empresas. Ao longo da carreira, ajudou centenas de negócios a tomarem decisões mais inteligentes e rentáveis, sempre com uma abordagem analítica, consultiva e baseada em dados. Fundador da GX Capital, Vinicius combina sua vivência de mercado com o uso de tecnologias avançadas e inteligência artificial para oferecer uma nova geração de serviços financeiros. É também palestrante, tendo participado de eventos e formações voltadas à educação financeira e à transformação digital no setor. No portal da GX Capital, compartilha sua visão sobre o futuro do mercado, tendências econômicas e estratégias práticas para empresas que querem crescer com eficiência e segurança.