NDF, opção ou trava: qual instrumento usar para proteger o Q1
Quando usar NDF, opções e travas (collars) para exposição firme e provável, com base spot x PTAX, buckets 30/60/90, custos, KPIs e playbook de execução.
Q1 é um trimestre de reabertura: livros ainda rasos, rolagens acumuladas e agenda de dados cheia. Para quem importa, exporta ou tem despesas/receitas em USD, a pergunta não é “para onde vai o dólar”, e sim “qual instrumento usa em cada tipo de exposição”. Este guia compara NDF (liquidação por diferença em BRL, ideal para fluxos firmes), opções (teto/piso para volumes prováveis e caudas) e travas (collars, que reduzem prêmio vendendo parte do upside). Explicamos quando cada um funciona, como alinhar base (spot x PTAX) e janelas para evitar vazamento de margem, como montar buckets 30/60/90 e medir CET/greeks relevantes. Fechamos com um playbook de 30–90 dias, exemplos setoriais, KPIs do comitê e CTAs para simular risco e custo.
Antes de escolher instrumento, defina a base de precificação comercial. Se sua tabela usa spot (janelas Londres/NY/SP) e o hedge é por PTAX (D-0, D-1 ou média), nasce um risco de base que cresce nas viradas e em manhãs com livro raso. Padronize por escrito: “Protegemos por PTAX D-1” ou “executamos spot na janela X”. Publique janelas, alçadas, regras de ordens limitadas e use duas a três casas com failover operacional.
O que é: contrato a termo de câmbio que liquida por diferença em BRL, referenciado à PTAX (ou critério acordado) no vencimento. Não há entrega física de USD. Quando usar: fluxo firme (Invoice/BL assinado, cronograma claro), orçamento fechado e datas conhecidas. Vantagens: simples de executar, previsível, bom para buckets 30/60/90 com rolagem programada. Custo: forward points (paridade de juros), basis (prêmio/desconto entre mercados) e spread da contraparte. Riscos: over-hedge se o volume não ocorrer; slippage ao rolar no último dia útil; desalinhamento de base se a sua tabela for spot.
O que são: direitos de comprar (call) ou vender (put) USD a uma taxa (strike) em data futura (ou janela). Quando usar: exposição provável (quantidade incerta), preservação de upside (exportador) ou limitação de teto (importador) com custo conhecido (prêmio). Vantagens: capam caudas, dão flexibilidade se o volume não se materializar. Custo: prêmio inicial (influenciado por volatilidade implícita, prazo e moneyness). Riscos: pagar prêmio alto em dias de pânico; desalocar caixa; escolher strike que não conversa com o mark-to-budget (MtB).
O que é: combinação de comprar uma opção de proteção (put para exportador; call para importador) e vender a opção oposta para financiar parte do prêmio. Quando usar: quando há orçamento de prêmio limitado e você aceita um corredor de taxa. Vantagens: custo baixo/zero, proteção contra cauda “ruim” e banda de previsibilidade. Riscos: travar oportunidade acima/abaixo do corredor; escolher banda estreita demais; lidar com ajustes se o volume final divergir muito.
Contexto: preço comercial por spot, pedidos firmes de fevereiro/março, lote extra incerto. Estratégia: NDF para 70% do firme (30/60); call (teto) para 30% provável, com collar quando a vol subir. Resultado: orçamento respeitado, flexibilidade no lote incerto.
Contexto: tabela por PTAX média, volumes variáveis por janela logística. Estratégia: NDF 60% firme + put (piso) 40% provável; rolagem D-2 e post-mortem mensal. Resultado: DSCR estável e upside parcial preservado.
Contexto: consumo em USD flutuante e recorrente. Estratégia: NDF 50–60% do run-rate e collar para excedentes; revisão trimestral do delta de proteção. Resultado: previsibilidade do OPEX e custo de prêmio sob controle.
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Para fluxo firme, o NDF tende a ser mais eficiente porque não requer prêmio à vista. Para incerteza de volume, a opção evita over-hedge e pode ser mais barata no resultado final.
Quando o orçamento de prêmio é limitado e você aceita um corredor de taxa. É típico para importadores com teto de custo ou exportadores que não querem perder totalmente o upside.
Pela mesma base do seu pricing comercial. Se a sua tabela é PTAX (D-0/D-1/média), proteja por PTAX. Se é spot, documente as janelas e execute nelas.
Execute em tranches, prefira janelas com vol mais baixa e utilize travas para financiar parte do prêmio. Ordens limitadas ajudam a não “pagar a tela”.
Não; é uma escolha de governança que pode reduzir volatilidade contábil. Exige documentação, testes de eficácia e disciplina de mensuração.
NDF, opção ou trava: qual instrumento usar para proteger o Q1
Resumo executivo
Primeiro, a base: spot x PTAX e as janelas oficiais
NDF: o cavalo de batalha para o firme
Opções: seguro para o provável e para as caudas
Trava (collar): reduzir prêmio trocando parte do upside
Como escolher: matriz firme × provável × sensibilidade
Custos, “gregos” e métricas que importam
Exemplos práticos (ilustrativos)
Importador de eletrônicos (Q1 de reposição)
Exportador de proteínas (embarques mensais)
Empresa de software/Cloud (OPEX em USD)
Política e governança: sem isso, a técnica não se sustenta
Armadilhas típicas (e como evitar)
KPIs do comitê (sem cegueira analítica)
Playbook de 30–90 dias (do diagnóstico à execução)
FAQ — dúvidas rápidas
NDF sempre é mais barato que opção?
Quando usar collar em vez de comprar opção “pura”?
Protejo por spot ou PTAX?
Como evitar pagar prêmio caro?
Hedge accounting é obrigatório?
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