NDF vs. Opções: qual usar para proteger o Q1?
Compare NDF e opções (teto, piso, collar) para proteger o Q1. Base spot x PTAX, custos, janelas de execução, armadilhas e playbook de 30–90 dias com KPIs.
No primeiro trimestre (Q1), empresas enfrentam picos de caixa (13º remanescente, impostos, volta às aulas) e agenda apertada após o recesso. A dúvida recorrente: usar NDF (non-deliverable forward) ou opções (teto, piso, collar) para travar o câmbio? A resposta depende de três variáveis: (1) quão firme é o seu fluxo (pedido/contrato vs. previsão), (2) qual é a sua base comercial (spot ou PTAX; D-0, D-1 ou média) e (3) seu orçamento de risco (aceita pagar prêmio para manter upside?). Em linhas gerais: NDF é cirúrgico para fluxos firmes em datas conhecidas, com custo implícito nos forward points; opções são superiores quando a exposição é incerta ou você quer limitar caudas sem abrir mão de ganho direcional. Este guia compara os instrumentos, mapeia riscos (base, liquidez de virada, roll), detalha custos, traz exemplos por setor e fecha com um playbook de 30–90 dias, KPIs e CTAs para simular decisões.
NDF é um contrato que liquida por diferença em BRL na data de vencimento: você compara a taxa contratada à PTAX de fechamento do dia e recebe/paga a diferença. Não há entrega de moeda. Perfeito para pagamentos/recebimentos com data e valor definidos. O custo vem dos points (paridade de juros + basis) e do spread do intermediário.
Opções dão direito de comprar (call) ou vender (put) moeda a uma taxa no futuro, mediante prêmio. Você pode montar um teto (compra de call), um piso (compra de put) ou um collar (piso financiado por venda de teto, reduzindo prêmio). Servem para proteger caudas quando o fluxo é provável ou variável e quando você quer conservar upside.
Regra prática: Fluxo firme → NDF costuma ser dominante. Fluxo incerto ou sujeito a volume/preço variáveis → Opções/Collar dão flexibilidade e evitam over-hedge.
Se você precifica por spot e protege por PTAX (ou vice-versa), nasce o risco de base. Em virada de mês e na reabertura pós-recesso, a PTAX pode refletir ordens técnicas em livros rasos, amplificando o desvio. O antídoto é padronizar a base (spot ou PTAX; D-0/D-1/média), documentar janelas de execução (overlaps Londres/NY/SP) e distribuir tranches nos dias úteis anteriores ao cut-off logístico/financeiro.
Como comparar: traga ambos a um CET por BRL protegido. Em cenários calmos, NDF tende a ser mais barato para fluxo firme; quando a volatilidade implícita está baixa, opções ficam mais acessíveis e atrativas para incerteza.
Dor: garantir margem do Q1 e DSCR sem travar 100% do pipeline futuro. Solução: NDF em buckets 30/60/90 para embarques contratados + collar para o provável (ordem de compra ainda não assinada). Base PTAX (se tabela/contratos usam PTAX) ou spot com janela fixa.
Dor: volume final muda pelo sell-out. Solução: teto (call) no valor provável e NDF apenas sobre o lote fechado (Invoice/BL). Assim evita over-hedge se o pedido reduzir.
Dor: consumo oscila mês a mês. Solução: NDF mensal de 60–80% do consumo médio 6m + piso (put) para proteger orçamento se o BRL se valorizar demais (reduz receita em BRL, mas compra USD mais barato). Ajuste trimestral por variação de uso > 10%.
Q1 concentra reabertura pós-recesso, pagamentos de tributos e recomposição de estoques. Em dias de liquidez irregular, spreads alargam e slippage aumenta. Boas práticas: (i) tranches D-3/D-2/D-1 para volumes relevantes; (ii) ordens limitadas com múltiplas casas; (iii) roll de NDF antes do último dia útil; (iv) programar liquidação de prêmio de opções para datas sem disputa de caixa operacional.
Contexto: embarques firmes em jan–mar; margem alvo em BRL. Estratégia: NDF 70% (buckets 30/60/90) + collar 30% (piso próximo ao orçamento, teto confortável). Resultado: DSCR estável e upside parcial preservado em caso de BRL mais fraco.
Contexto: vendas oscilam após volta às aulas. Estratégia: NDF apenas para lotes com BL/Invoice; teto para o provável do mês seguinte. Resultado: sem over-hedge e previsibilidade de custo.
Contexto: consumo pode subir com nova feature. Estratégia: NDF 60% do run-rate, piso para o excedente; revisão mensal por delta de consumo. Resultado: orçamento respeitado e flexibilidade tática.
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Não. Você preserva o piso e limita o teto. O upside é preservado até o strike vendido (teto). Escolha strikes segundo o orçamento e a banda de tolerância — não por “número redondo”.
Sim. É comum hedgear o firme com NDF e o provável com opções. Também dá para usar NDF como “miolo” e um teto (call) para proteger o excesso de volume.
Se não houver designação de hedge accounting, a marcação pode afetar resultado. Avalie designar quando aplicável e mantenha documentação e testes de eficácia.
Depende do seu pricing. Se você precifica por spot, proteger por PTAX sem ajustes gera risco de base. Coerência entre base comercial e base do hedge é mais importante que “qual é melhor”.
Use collar (financiado), distribua datas (tranches), escolha strikes realistas e execute quando a vol implícita estiver mais baixa (evite “comprar vol” em pico de notícia).
NDF vs. Opções: qual usar para proteger o Q1?
Resumo executivo
NDF x Opções — o que cada um resolve (sem economês)
Base comercial e risco de virada (spot x PTAX no Q1)
Quanto custa de verdade: pontos, prêmio e spread
Casos de uso por perfil de exposição
Exportador com pedidos firmes (embarques até março)
Importador com lote variável (eletrônicos ou fármacos)
Serviços/SaaS com OPEX em USD
Janelas de Q1: reabertura, impostos e “buracos” de liquidez
Comparativo objetivo — quando cada um tende a vencer
Armadilhas típicas (e como desarmar)
Exemplos práticos (ilustrativos)
Exportador de alimentos (receita em USD, tabela PTAX média)
Varejista importador (tabela por spot, reposição incerta)
SaaS/Cloud (OPEX em USD variável)
KPIs do comitê no Q1
Playbook de 30–90 dias (da política ao livro de ordens)
FAQ — dúvidas rápidas
Se eu usar collar, perco todo o upside?
Posso combinar NDF e opções no mesmo fluxo?
Qual risco contábil eu corro?
Qual é a melhor base: spot ou PTAX?
Como evitar pagar prêmio alto em Q1?
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