Selic pode ficar em dois dígitos até 2028
Bradesco vê espaço para cortes graduais se a atividade enfraquecer, mas juros podem seguir em dois dígitos até 2028. Entenda os efeitos para empresas e investidores.
Atualizado em setembro/2026. A Selic pode permanecer em dois dígitos até 2028, segundo avaliação apresentada pelo economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, em 15 de setembro de 2026. A análise admite espaço para cortes graduais caso a atividade econômica continue fraca, mas condiciona uma trajetória de juros menores à evolução da inflação, das expectativas, do mercado de trabalho e da política fiscal.
A taxa Selic meta vigente é de 14,00% ao ano desde 15 de setembro de 2026, enquanto o CDI está em 13,90% ao ano, com referência de 14 de setembro de 2026. O Copom concluiu a reunião iniciada em 15 de setembro de 2026, mas a ata prevista para 22 de setembro de 2026 deverá esclarecer como o Banco Central avaliou os principais riscos para a política monetária.
Para tesourarias, empresas endividadas e investidores em renda fixa, a mensagem é direta: a velocidade dos cortes importa tanto quanto a direção dos juros. Uma redução gradual pode aliviar o custo financeiro, mas a manutenção de taxas elevadas preserva a atratividade relativa das aplicações pós-fixadas e prolonga a pressão sobre companhias alavancadas.
Por que a Selic pode continuar em dois dígitos
A Selic pode permanecer elevada por mais tempo porque o Banco Central precisa observar a convergência da inflação, das expectativas e das contas públicas antes de acelerar cortes.
O IPCA acumulado em 12 meses está em 4,22%, com referência de 1º de agosto de 2026, segundo o IBGE por meio do Banco Central. Para o fim de 2026, a mediana do Boletim Focus aponta IPCA de 4,90%, em projeção publicada em 11 de setembro de 2026. A diferença entre o índice observado e a expectativa futura mostra por que a comunicação do Copom continua relevante para o mercado.
As expectativas funcionam como uma referência para decisões de preços, salários, contratos e investimentos. Quando permanecem pressionadas, o espaço para reduzir juros tende a depender de evidências mais consistentes de desinflação e de uma política fiscal capaz de sustentar a confiança.
A avaliação do Bradesco também relaciona a trajetória da Selic ao mercado de trabalho e ao nível de atividade. Uma economia mais fraca pode reduzir a pressão sobre preços e abrir espaço para cortes. Se a demanda permanecer resistente ou as expectativas se distanciarem da meta, a política monetária poderá continuar restritiva por mais tempo.
A política fiscal completa esse quadro. Uma melhora nas contas públicas pode ajudar a sustentar juros menores, enquanto dúvidas sobre a trajetória fiscal podem elevar o prêmio exigido pelos investidores e dificultar uma redução mais rápida da Selic.
O que o Focus projeta para os juros
O Boletim Focus publicado em 11 de setembro de 2026 projeta Selic de 13,75% ao ano para o fim de 2026 e de 12,00% ao ano para o fim de 2027. Esses números são expectativas de mercado, não taxas vigentes nem decisões confirmadas do Copom.
A diferença entre a Selic meta vigente de 14,00% ao ano em 15 de setembro de 2026 e a projeção de 13,75% ao ano para o fim de 2026 sugere uma expectativa de redução limitada até o encerramento do ano, segundo a mediana do Focus de 11 de setembro de 2026. A projeção para 2027 indica uma normalização mais longa, sem retorno imediato a juros baixos.
| Referência | Taxa | Data ou período |
|---|---|---|
| Selic vigente | 14,00% ao ano | 15/09/2026 |
| Selic projetada | 13,75% ao ano | Fim de 2026, Focus de 11/09/2026 |
| Selic projetada | 12,00% ao ano | Fim de 2027, Focus de 11/09/2026 |
O Focus não representa uma promessa de trajetória. A mediana pode mudar conforme saem novos dados de inflação, atividade, emprego e contas públicas. Até a divulgação da ata do Copom em 22 de setembro de 2026, a comunicação oficial do Banco Central será essencial para interpretar o balanço de riscos.
Corte gradual ou juros altos: efeitos para a economia
Um corte gradual tende a reduzir o custo de capital ao longo do tempo, enquanto a manutenção de juros elevados favorece aplicações pós-fixadas e mantém o crédito mais restritivo.
O impacto não ocorre de forma uniforme. Companhias com dívida indexada ao CDI sentem rapidamente a manutenção da taxa, pois a despesa financeira acompanha as condições do mercado. Empresas com títulos prefixados podem se beneficiar da marcação a mercado quando as taxas futuras recuam, embora o resultado dependa do prazo, do preço de aquisição e da necessidade de venda antes do vencimento.
O crédito bancário também reage à percepção de risco. Com cortes graduais, bancos podem rever condições de novas concessões, mas a transmissão para o tomador depende da inadimplência, das garantias, do prazo e da política de cada instituição. A queda da Selic, isoladamente, não garante crédito mais barato para todos.
| Aspecto | Corte gradual | Juros elevados |
|---|---|---|
| Custo da dívida | Alívio progressivo para dívidas pós-fixadas, condicionado à velocidade dos cortes. | Pressão prolongada sobre empresas alavancadas e de menor margem. |
| Crédito bancário | Pode melhorar gradualmente, conforme risco e funding permitirem. | Novas concessões tendem a permanecer mais seletivas. |
| Renda fixa | Prefixados e títulos indexados à inflação podem ganhar com a marcação a mercado, sem garantia de desempenho. | Pós-fixados preservam maior sensibilidade à taxa vigente. |
| Investimento corporativo | Projetos podem se tornar mais viáveis quando o custo de capital recua. | Empresas tendem a priorizar caixa e redução de dívida. |
A comparação deve ser usada como mapa de sensibilidade, não como previsão. O resultado financeiro depende da estrutura de dívida, do prazo dos contratos, da liquidez dos títulos e da resposta do mercado à comunicação do Banco Central.
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Impactos por perfil de empresa
O efeito da Selic varia conforme a exposição da empresa ao CDI, o prazo da dívida e a capacidade de repassar custos aos clientes.
| Perfil | Principal efeito | Foco da tesouraria |
|---|---|---|
| Alta alavancagem | Maior sensibilidade à despesa financeira pós-fixada. | Alongar passivos, revisar covenants e proteger o caixa. |
| Receita previsível | Melhor capacidade de planejar pagamentos, mesmo com juros elevados. | Comparar custo de refinanciamento e reserva de liquidez. |
| Exportadora | Exposição combinada a juros, fluxo cambial e prazo de recebimento. | Coordenar hedge, recebíveis e dívida em moeda estrangeira. |
| Importadora | Pressão potencial quando o câmbio encarece custos e o crédito permanece restrito. | Casar compras, estoque e proteção cambial. |
| Empresa com caixa aplicado | Maior remuneração relativa em instrumentos pós-fixados enquanto a taxa vigente permanece elevada. | Conciliar liquidez, risco de crédito e prazo. |
Observacao GX: uma regra prática útil é separar a análise em duas perguntas: quanto da dívida acompanha o CDI e em quanto tempo a empresa consegue repassar custos. Uma companhia com dívida pós-fixada e receita contratada pode sentir a taxa antes de qualquer benefício de um corte. Já uma empresa com caixa líquido e prazo longo pode atravessar a transição com maior previsibilidade, embora isso não elimine riscos de mercado.
Na nossa mesa de cambio, acompanhamos empresas exportadoras que precisam conciliar recebimentos em moeda estrangeira com compromissos em reais. Um caso anonimizado comum envolve o exportador que possui uma data contratual para receber dólares, mas precisa pagar fornecedores antes do embarque. Nesse tipo de situação, juros, PTAX e prazo contratual entram na mesma decisão de liquidez. A referência oficial da PTAX de venda foi de R$ 5,1490 por dólar em 15 de setembro de 2026.
O Boletim Focus de 11 de setembro de 2026 apresenta mediana de R$ 5,2000 para o câmbio no fim de 2026. Essa projeção não substitui uma política de hedge nem deve ser tratada como cotação futura garantida. Para a tesouraria, a pergunta central é como proteger margem e fluxo de caixa diante de diferentes trajetórias do dólar.
O que muda para investidores em renda fixa
Investidores em renda fixa precisam distinguir a remuneração contratada, a taxa vigente e o efeito da marcação a mercado.
Enquanto a Selic meta está em 14,00% ao ano em 15 de setembro de 2026 e o CDI está em 13,90% ao ano em 14 de setembro de 2026, produtos pós-fixados acompanham de perto a dinâmica dos juros de curto prazo, descontadas características como custos, impostos e risco de crédito.
Em um cenário de cortes graduais, títulos prefixados e indexados à inflação podem apresentar valorização antes do vencimento se as taxas de mercado recuarem. Esse movimento, porém, não é automático. Uma abertura das taxas pode provocar perda temporária de preço, mesmo quando o investidor pretende manter o título até o vencimento.
Com juros elevados por mais tempo, a renda fixa pós-fixada tende a manter uma referência de remuneração associada à taxa vigente. Ainda assim, o investidor precisa avaliar liquidez, emissor, prazo, tributação e compatibilidade com o objetivo financeiro. Taxa maior não elimina risco de crédito ou de necessidade de resgate.
A inflação também precisa entrar na leitura. O IPCA acumulado em 12 meses foi de 4,22% até 1º de agosto de 2026, enquanto a expectativa Focus para o fim de 2026 é de 4,90%, publicada em 11 de setembro de 2026. A comparação entre retorno nominal e inflação deve usar o mesmo período e considerar os custos aplicáveis.
Como acompanhar a decisão do Copom
A decisão do Copom deve ser lida junto com a ata, os dados econômicos e a orientação futura da política monetária.
O Copom concluiu a reunião iniciada em 15 de setembro de 2026. Como a ata está prevista para 22 de setembro de 2026, ainda não há, neste material, informação oficial sobre o conteúdo detalhado da decisão ou sobre a avaliação completa dos riscos pelo Comitê.
O investidor e o gestor financeiro podem organizar o acompanhamento em quatro frentes:
- Inflação: observar o IPCA divulgado e a direção das expectativas para os próximos períodos.
- Atividade: avaliar se a desaceleração econômica se confirma e afeta consumo, produção e investimento.
- Mercado de trabalho: acompanhar sinais de pressão salarial e de enfraquecimento da demanda.
- Política fiscal: verificar se as medidas públicas reforçam ou dificultam a convergência das expectativas.
Para empresas, a ata pode ajudar a revisar o orçamento financeiro, a necessidade de refinanciamento e a composição entre dívida prefixada e pós-fixada. Para investidores, o documento pode esclarecer o grau de dependência da política monetária em relação aos próximos dados.
Fontes institucionais devem ter prioridade nessa leitura. O Banco Central do Brasil publica comunicados e informações do Copom. O Boletim Focus reúne expectativas de mercado. Para referências sobre mercado de capitais e proteção ao investidor, a Comissão de Valores Mobiliários mantém informações regulatórias e educacionais.
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Conclusão: juros menores podem vir, mas sem atalho
A avaliação do Bradesco combina duas ideias. A atividade fraca pode abrir espaço para cortes graduais, mas a Selic ainda pode permanecer em dois dígitos até 2028 se inflação, expectativas, mercado de trabalho e política fiscal exigirem cautela.
Com a Selic em 14,00% ao ano em 15 de setembro de 2026, o CDI em 13,90% ao ano em 14 de setembro de 2026 e a mediana Focus apontando 12,00% ao ano para a Selic no fim de 2027, empresas e investidores enfrentam uma transição que exige planejamento de prazo. A melhor leitura não é apostar em uma única trajetória, mas testar o impacto de cortes graduais e de juros elevados sobre caixa, dívida e liquidez.
Acompanhe a ata do Copom prevista para 22 de setembro de 2026 e use dados oficiais para atualizar cenários de tesouraria e renda fixa. Este conteudo e informativo e nao constitui recomendacao de investimento ou solicitacao de servico.
Equipe GX Capital, boutique financeira em Porto Alegre/RS, 15+ anos em cambio, credito estruturado, trade finance e wealth management.
Perguntas frequentes
A Selic pode ficar em dois dígitos até 2028?
Qual é a Selic vigente em setembro de 2026?
Como juros altos afetam empresas endividadas?
O que a queda dos juros pode mudar na renda fixa?
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