Nubank no 4T25: o que o resultado diz sobre crédito, competição bancária e o custo do dinheiro em 2026
Lucro recorde, ROE elevado e base ativa do Nubank: entenda impactos para competição bancária, spreads e funding. Playbook para CFOs com KPIs e simulações de CET.
Linha editorial: Radar econômico / GX Insights | Tempo de leitura: 23 min |
O Nubank (Nu Holdings; BDR ROXO34) reportou um 4T25 forte, com lucro líquido recorde em torno de US$ 895 milhões e ROE de 33%, apoiado por escala, maior monetização e disciplina de risco. :contentReference[oaicite:0]{index=0} A base de clientes chegou a 131 milhões e o banco adicionou 17 milhões de clientes no ano, com taxa de atividade mensal de 83% (e 86% no Brasil, segundo a própria companhia). :contentReference[oaicite:1]{index=1} O dado mais “macro” para CFOs é que um player digital com custo de servir baixo e funding crescente (depósitos em alta) consegue sustentar rentabilidade elevada mesmo com ambiente de juros altos, o que tende a manter a competição por clientes e a pressionar spreads em produtos específicos — mas de forma seletiva, dependendo de risco e garantias. A leitura prática para empresas em 2026 é: (1) reavaliar mix de crédito (banco, mercado, BNDES, recebíveis) com foco em CET; (2) reforçar governança de dados e garantias para capturar spreads menores quando houver janela; (3) calibrar pricing e prazo de recebimento porque a competição bancária muda o “piso” de custo para o cliente final. Este artigo destrincha os números, o que eles sinalizam para o ciclo de crédito e entrega um playbook com KPIs e ações para tesourarias.
Antes de interpretações, vale ancorar em fatos divulgados pela companhia e repercutidos na imprensa: no 4T25, a Nu reportou receita recorde próxima de US$ 4,9 bilhões, lucro líquido de cerca de US$ 894,8 milhões e ROE de 33%.
No ano, a companhia indicou receita em torno de US$ 16,3 bilhões e lucro de aproximadamente US$ 2,9 bilhões.
Em engajamento, destacou ARPAC (receita média mensal por cliente ativo) de US$ 15, com alta sequencial e anual, e taxa de atividade de 83%. No lado de eficiência, reportou custo de servir por cliente ativo em torno de US$ 0,8 e efficiency ratio de aproximadamente 19,9%.
Em risco, citou queda do indicador 15–90 dias para 4,1% e 90+ dias para 6,6%.
No funding e balanço, destacou depósitos em torno de US$ 41,9 bilhões (+29% YoY), custo de funding como 87% das taxas interbancárias e carteira de crédito total de US$ 32,7 bilhões (+40% YoY).
Esses números formam o “mapa” de por que um banco digital consegue (a) crescer e (b) manter ROE alto: base ativa, monetização, eficiência e controle de risco.
ROE alto em banco não é só “boa gestão”; é sinal de uma combinação: spreads adequados ao risco, eficiência operacional e funding competitivo. Quando um player com milhões de clientes opera com baixo custo por cliente e melhora monetização, ele consegue tolerar mais concorrência e, em alguns produtos, reduzir preço para ganhar share sem destruir rentabilidade.
Para empresas, isso importa porque a dinâmica competitiva se espalha: bancos incumbentes reagem com campanhas, fintechs brigam por nichos e o custo do crédito pode cair em segmentos onde dados e garantias permitem precificação fina. Onde a assimetria de informação permanece (carteira concentrada, recebíveis não registrados, pouca transparência de fluxo), o spread tende a continuar alto. Em 2026, a diferença entre “pegar crédito caro” e “pegar crédito competitivo” será cada vez mais uma questão de governança de informação.
Um banco digital crescendo com rentabilidade indica que há espaço para competir em preço onde o risco é bem mensurado. Para CFOs, isso reforça: organize lastro, dados e garantias para entrar na faixa “precificável”. Se você chega ao credor com extratos limpos, carteira de recebíveis consistente e governança, você negocia. Se chega com ruído, você paga “prêmio de incerteza”.
Depósitos crescendo e custo de funding competitivo são parte do motor.
Para empresas, o paralelo é: se sua tesouraria não faz varredura D+0 e não organiza contas por finalidade, você está deixando dinheiro na mesa. Em juros altos, a diferença entre caixa parado e caixa rendendo é material. E, do lado do passivo, o credor vai comparar o seu risco com o risco do “consumidor bancarizado digitalmente” — se o seu pacote de dados é pior, o spread sobe.
ARPAC (receita média por cliente ativo) e atividade mensal são métricas de “profundidade de relacionamento”. Quando sobem, indicam que o banco não depende apenas de aquisição; ele monetiza melhor a base.
O efeito colateral é que a instituição ganha poder para oferecer crédito e serviços com mais precisão (score interno, cross-sell, limites dinâmicos). Em linguagem de tesouraria: o custo do dinheiro tende a ficar mais barato para quem tem dados e relacionamento — e mais caro para quem é opaco ou errático. Para empresas que vendem B2C ou atendem PMEs, isso se traduz em mudança no comportamento do cliente: mais parcelamento, mais crédito pessoal, novas formas de pagamento e, portanto, mudanças no seu ciclo de recebimento e inadimplência.
O Nubank destacou queda do indicador 15–90 para 4,1% e do 90+ para 6,6% no trimestre.
A leitura para o mercado é: o banco está tentando equilibrar crescimento com disciplina de concessão (ou ajustando mix). Para empresas, a leitura é indireta: quando indicadores de risco estabilizam, a competição por crédito tende a aumentar; quando deterioram, a porta do crédito fecha e o preço sobe. CFOs devem usar métricas bancárias como “termômetro” para timing de captação e renegociação. Não é bola de cristal, mas é sinal: se players agressivos mostram melhora de risco, é um bom momento para abrir concorrência em funding e recebíveis.
Com Selic alta (e “calibragem” do BC no radar), a pressão por eficiência e monetização aumenta para todos: bancos, empresas e consumidores. Um banco digital com eficiência ratio baixo e base enorme pode atravessar 2026 mantendo agressividade comercial.
Para empresas, isso implica: (1) o cliente final terá mais oferta de crédito/parcelamento; (2) o seu DRE pode ficar mais sensível ao mix de pagamentos e ao custo de antecipação; (3) o seu custo de capital dependerá mais da capacidade de “parecer banco”: dados, transparência e previsibilidade.
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ROE é retorno sobre patrimônio. Em bancos, ROE alto normalmente combina eficiência, spreads adequados e boa gestão de risco. A companhia reportou ROE de 33% no 4T25. Para o mercado, é sinal de rentabilidade acima da média; para CFOs, é sinal de competição bancária forte e de que “dados + eficiência” viraram armas de preço.
É um conceito semelhante: receita média por cliente ativo. A Nu reportou ARPAC de US$ 15 no 4T25 e destacou crescimento sequencial e anual.Em tese, ARPAC maior significa melhor monetização e mais capacidade de investir sem perder margem.
Não automaticamente. Mas melhora de métricas de risco em players relevantes tende a aumentar competição e abrir espaço para spreads mais seletivos. No caso, a empresa reportou 15–90 em 4,1% e 90+ em 6,6% no trimestre.
Dois: (1) clientes e fornecedores vão operar em um ambiente de crédito mais digital e mais competitivo; (2) seu custo de capital vai depender da sua capacidade de provar fluxo e garantias. Se você não tem um data room de crédito e uma esteira de recebíveis, você paga prêmio.
Use CET e prazo como régua. Banco (CDI+) traz velocidade; FIDC/recebíveis traz colateral e pode baratear; mercado traz escala e alongamento. O melhor mix depende do seu CCC e do seu risco. Rode simulações e compare cenários.
Nubank no 4T25: o que o resultado diz sobre crédito, competição bancária e o custo do dinheiro em 2026
Resumo executivo
O que saiu no resultado: 10 números que importam (e por quê)
O que o ROE de 33% está dizendo sobre o ciclo
Do resultado do Nubank para a sua empresa: três leituras práticas
1) Spreads tendem a ficar mais “seletivos” do que “mais baixos para todos”
2) Funding via depósitos e plataforma muda o jogo em capital de giro
Como ler ARPAC e taxa de atividade (e por que isso afeta o crédito)
Risco: o que significam NPL 15–90 e 90+ em um banco digital
O que isso diz sobre 2026 no Brasil: competição, digitalização e política monetária
Playbook (30–90 dias): como tesourarias podem capturar a “janela” de competição
KPIs do comitê (os que separam “taxa boa” de “taxa ruim”)
Armadilhas comuns ao interpretar resultados de bancos digitais
FAQ — dúvidas rápidas
O que é ROE e por que 33% chama tanto atenção?
ARPAC é igual a ARPU?
Se inadimplência caiu, o crédito vai ficar mais barato?
Qual o “takeaway” para empresas que não são do setor financeiro?
Como usar isso para decidir entre FIDC, banco e mercado?
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