Nubank no 4T25: o que o resultado diz sobre crédito, competição bancária e o custo do dinheiro em 2026

Lucro recorde, ROE elevado e base ativa do Nubank: entenda impactos para competição bancária, spreads e funding. Playbook para CFOs com KPIs e simulações de CET.

Feb 27, 2026 - 07:40
Feb 25, 2026 - 22:44
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Nubank no 4T25: o que o resultado diz sobre crédito, competição bancária e o custo do dinheiro em 2026

Nubank no 4T25: o que o resultado diz sobre crédito, competição bancária e o custo do dinheiro em 2026

Linha editorial: Radar econômico / GX Insights  |  Tempo de leitura: 23 min  | 

Resumo executivo

O Nubank (Nu Holdings; BDR ROXO34) reportou um 4T25 forte, com lucro líquido recorde em torno de US$ 895 milhões e ROE de 33%, apoiado por escala, maior monetização e disciplina de risco. :contentReference[oaicite:0]{index=0} A base de clientes chegou a 131 milhões e o banco adicionou 17 milhões de clientes no ano, com taxa de atividade mensal de 83% (e 86% no Brasil, segundo a própria companhia). :contentReference[oaicite:1]{index=1} O dado mais “macro” para CFOs é que um player digital com custo de servir baixo e funding crescente (depósitos em alta) consegue sustentar rentabilidade elevada mesmo com ambiente de juros altos, o que tende a manter a competição por clientes e a pressionar spreads em produtos específicos — mas de forma seletiva, dependendo de risco e garantias. A leitura prática para empresas em 2026 é: (1) reavaliar mix de crédito (banco, mercado, BNDES, recebíveis) com foco em CET; (2) reforçar governança de dados e garantias para capturar spreads menores quando houver janela; (3) calibrar pricing e prazo de recebimento porque a competição bancária muda o “piso” de custo para o cliente final. Este artigo destrincha os números, o que eles sinalizam para o ciclo de crédito e entrega um playbook com KPIs e ações para tesourarias.

O que saiu no resultado: 10 números que importam (e por quê)

Antes de interpretações, vale ancorar em fatos divulgados pela companhia e repercutidos na imprensa: no 4T25, a Nu reportou receita recorde próxima de US$ 4,9 bilhões, lucro líquido de cerca de US$ 894,8 milhões e ROE de 33%.

No ano, a companhia indicou receita em torno de US$ 16,3 bilhões e lucro de aproximadamente US$ 2,9 bilhões.

Em engajamento, destacou ARPAC (receita média mensal por cliente ativo) de US$ 15, com alta sequencial e anual, e taxa de atividade de 83%.  No lado de eficiência, reportou custo de servir por cliente ativo em torno de US$ 0,8 e efficiency ratio de aproximadamente 19,9%.

Em risco, citou queda do indicador 15–90 dias para 4,1% e 90+ dias para 6,6%.

No funding e balanço, destacou depósitos em torno de US$ 41,9 bilhões (+29% YoY), custo de funding como 87% das taxas interbancárias e carteira de crédito total de US$ 32,7 bilhões (+40% YoY).

Esses números formam o “mapa” de por que um banco digital consegue (a) crescer e (b) manter ROE alto: base ativa, monetização, eficiência e controle de risco.

O que o ROE de 33% está dizendo sobre o ciclo

ROE alto em banco não é só “boa gestão”; é sinal de uma combinação: spreads adequados ao risco, eficiência operacional e funding competitivo. Quando um player com milhões de clientes opera com baixo custo por cliente e melhora monetização, ele consegue tolerar mais concorrência e, em alguns produtos, reduzir preço para ganhar share sem destruir rentabilidade.

Para empresas, isso importa porque a dinâmica competitiva se espalha: bancos incumbentes reagem com campanhas, fintechs brigam por nichos e o custo do crédito pode cair em segmentos onde dados e garantias permitem precificação fina. Onde a assimetria de informação permanece (carteira concentrada, recebíveis não registrados, pouca transparência de fluxo), o spread tende a continuar alto. Em 2026, a diferença entre “pegar crédito caro” e “pegar crédito competitivo” será cada vez mais uma questão de governança de informação.

Do resultado do Nubank para a sua empresa: três leituras práticas

1) Spreads tendem a ficar mais “seletivos” do que “mais baixos para todos”

Um banco digital crescendo com rentabilidade indica que há espaço para competir em preço onde o risco é bem mensurado. Para CFOs, isso reforça: organize lastro, dados e garantias para entrar na faixa “precificável”. Se você chega ao credor com extratos limpos, carteira de recebíveis consistente e governança, você negocia. Se chega com ruído, você paga “prêmio de incerteza”.

2) Funding via depósitos e plataforma muda o jogo em capital de giro

Depósitos crescendo e custo de funding competitivo são parte do motor.

Para empresas, o paralelo é: se sua tesouraria não faz varredura D+0 e não organiza contas por finalidade, você está deixando dinheiro na mesa. Em juros altos, a diferença entre caixa parado e caixa rendendo é material. E, do lado do passivo, o credor vai comparar o seu risco com o risco do “consumidor bancarizado digitalmente” — se o seu pacote de dados é pior, o spread sobe.

Como ler ARPAC e taxa de atividade (e por que isso afeta o crédito)

ARPAC (receita média por cliente ativo) e atividade mensal são métricas de “profundidade de relacionamento”. Quando sobem, indicam que o banco não depende apenas de aquisição; ele monetiza melhor a base.

O efeito colateral é que a instituição ganha poder para oferecer crédito e serviços com mais precisão (score interno, cross-sell, limites dinâmicos). Em linguagem de tesouraria: o custo do dinheiro tende a ficar mais barato para quem tem dados e relacionamento — e mais caro para quem é opaco ou errático. Para empresas que vendem B2C ou atendem PMEs, isso se traduz em mudança no comportamento do cliente: mais parcelamento, mais crédito pessoal, novas formas de pagamento e, portanto, mudanças no seu ciclo de recebimento e inadimplência.

Risco: o que significam NPL 15–90 e 90+ em um banco digital

O Nubank destacou queda do indicador 15–90 para 4,1% e do 90+ para 6,6% no trimestre.

A leitura para o mercado é: o banco está tentando equilibrar crescimento com disciplina de concessão (ou ajustando mix). Para empresas, a leitura é indireta: quando indicadores de risco estabilizam, a competição por crédito tende a aumentar; quando deterioram, a porta do crédito fecha e o preço sobe. CFOs devem usar métricas bancárias como “termômetro” para timing de captação e renegociação. Não é bola de cristal, mas é sinal: se players agressivos mostram melhora de risco, é um bom momento para abrir concorrência em funding e recebíveis.

O que isso diz sobre 2026 no Brasil: competição, digitalização e política monetária

Com Selic alta (e “calibragem” do BC no radar), a pressão por eficiência e monetização aumenta para todos: bancos, empresas e consumidores. Um banco digital com eficiência ratio baixo e base enorme pode atravessar 2026 mantendo agressividade comercial.

Para empresas, isso implica: (1) o cliente final terá mais oferta de crédito/parcelamento; (2) o seu DRE pode ficar mais sensível ao mix de pagamentos e ao custo de antecipação; (3) o seu custo de capital dependerá mais da capacidade de “parecer banco”: dados, transparência e previsibilidade.

Playbook (30–90 dias): como tesourarias podem capturar a “janela” de competição

  1. Dia 0–7 — Diagnóstico do ciclo de caixa: calcule PMR (DSO), PMP e PME; identifique onde o juro alto está comendo margem (estoque, prazo de recebimento, antecipação). Defina a “taxa-orçamento” de CET para 2026 (meta de custo total por produto).
  2. Dia 7–15 — Data room de crédito: monte um pacote padronizado para concorrência: extratos consolidados, aging de clientes, concentração de sacados, política de cobrança, indicadores de inadimplência, garantias possíveis (cessão fiduciária, recebíveis, estoque). Objetivo: reduzir assimetria e “comprar” spread menor.
  3. Dia 15–30 — Concorrência real: cote 2–3 fontes por classe: (i) banco (giro CDI+), (ii) recebíveis (FIDC/duplicatas/cartão), (iii) mercado (NP/LC/debênture curta), (iv) BNDES (quando elegível). Exija memória de preço: taxa, fees, IOF, garantias, covenants e prazos.
  4. Dia 30–60 — Mix por bucket: distribua o passivo por buckets (30/90/180/360) e por indexador (CDI+, IPCA+, prefixado) conforme seu ALM. Evite concentração em um vencimento ou em um indexador. Se você tem receitas indexadas, case base para reduzir duration gap.
  5. Dia 60–90 — Reprecificação de contratos: ajuste política de preço e condições comerciais: desconto por meio de pagamento só se pagar menos que o seu CET; repasse de custos com bandas; gatilhos objetivos em B2B. Rodar post-mortem mensal (CET real vs orçamento) e corrigir rapidamente.

💠 Aurum — comparar CET por fonte e indexador 💳 Antecipação — calcular custo (FIDC vs desconto) 🏛️ Linhas BNDES — taxas, prazos e carência 📊 Mercado de Capitais — simular instrumentos

KPIs do comitê (os que separam “taxa boa” de “taxa ruim”)

  • CET ponderado (giro + recebíveis + mercado) vs taxa-orçamento, mensal.
  • Concentração de recebíveis (Top 5 sacados) e aging > 60/90 dias.
  • Prazo médio de recebimento (DSO) e custo por dia de alongamento (quanto custa financiar cada dia extra).
  • Mix de funding por bucket (30/90/180/360) e risco de rolagem.
  • Slippage operacional em operações críticas (cotado vs fechado) e custo de fees “escondidos”.

Armadilhas comuns ao interpretar resultados de bancos digitais

  • Focar só no lucro: sem entender eficiência e risco, você não sabe se o lucro é sustentável. No caso do Nubank, a companhia destaca eficiência e métricas de risco junto com lucro.
  • Ignorar FX-neutral: parte dos números é discutida em base “FX neutral” para comparar períodos. Para CFOs, a analogia é clara: compare seu DRE com e sem FX quando houver custo dolarizado.
  • Confundir “cliente” com “cliente ativo”: o que paga conta é atividade e monetização. A empresa enfatiza taxa de atividade e ARPAC.
  • Não transformar leitura em ação: resultado forte é gatilho para abrir concorrência de funding e renegociar spreads — não para apenas comentar no café.

FAQ — dúvidas rápidas

O que é ROE e por que 33% chama tanto atenção?

ROE é retorno sobre patrimônio. Em bancos, ROE alto normalmente combina eficiência, spreads adequados e boa gestão de risco. A companhia reportou ROE de 33% no 4T25. Para o mercado, é sinal de rentabilidade acima da média; para CFOs, é sinal de competição bancária forte e de que “dados + eficiência” viraram armas de preço.

ARPAC é igual a ARPU?

É um conceito semelhante: receita média por cliente ativo. A Nu reportou ARPAC de US$ 15 no 4T25 e destacou crescimento sequencial e anual.Em tese, ARPAC maior significa melhor monetização e mais capacidade de investir sem perder margem.

Se inadimplência caiu, o crédito vai ficar mais barato?

Não automaticamente. Mas melhora de métricas de risco em players relevantes tende a aumentar competição e abrir espaço para spreads mais seletivos. No caso, a empresa reportou 15–90 em 4,1% e 90+ em 6,6% no trimestre.

Qual o “takeaway” para empresas que não são do setor financeiro?

Dois: (1) clientes e fornecedores vão operar em um ambiente de crédito mais digital e mais competitivo; (2) seu custo de capital vai depender da sua capacidade de provar fluxo e garantias. Se você não tem um data room de crédito e uma esteira de recebíveis, você paga prêmio.

Como usar isso para decidir entre FIDC, banco e mercado?

Use CET e prazo como régua. Banco (CDI+) traz velocidade; FIDC/recebíveis traz colateral e pode baratear; mercado traz escala e alongamento. O melhor mix depende do seu CCC e do seu risco. Rode simulações e compare cenários.

Conclusão

O 4T25 do Nubank reforça um recado que vale para 2026: quem combina dados, eficiência e disciplina de risco consegue ganhar escala e manter rentabilidade alta, mesmo em juro elevado. Para CFOs, isso é uma oportunidade e um alerta: oportunidade de capturar spreads menores via concorrência e dados; alerta de que o “crédito caro por inércia” tende a penalizar ainda mais quem não organiza lastro e governança. Se você transformar esses sinais em playbook (data room, mix de funding, buckets, KPIs), o resultado bancário vira vantagem competitiva no seu caixa — e não só manchete.

Conteúdo educativo; não constitui recomendação de investimento. Números citados são de comunicados e relatórios públicos da companhia e de cobertura jornalística.

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Vinicius Teixeira Vinicius Teixeira é especialista com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, atuando com foco em soluções estratégicas para câmbio, crédito estruturado e inteligência financeira para empresas. Ao longo da carreira, ajudou centenas de negócios a tomarem decisões mais inteligentes e rentáveis, sempre com uma abordagem analítica, consultiva e baseada em dados. Fundador da GX Capital, Vinicius combina sua vivência de mercado com o uso de tecnologias avançadas e inteligência artificial para oferecer uma nova geração de serviços financeiros. É também palestrante, tendo participado de eventos e formações voltadas à educação financeira e à transformação digital no setor. No portal da GX Capital, compartilha sua visão sobre o futuro do mercado, tendências econômicas e estratégias práticas para empresas que querem crescer com eficiência e segurança.